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27 fevereiro 2014

Os segredos das gorduras alimentares

O que são gorduras?

Adipócitos - reservas de gordura.
As gorduras ou lípidos (nome químico) são moléculas que fazem parte da estrutura de todos os organismos vivos. Têm funções essenciais à sobrevivência como:

  • Proteção do corpo contra choques e diferenças de temperatura; 
  • São veículo e participam na síntese de moléculas essenciais como colesterol, hormonas e nutrientes; 
  • Fazem parte da estrutura de todas as células, em particular da membrana celular, desempenhando um papel seletivo essencial;
  • A sua principal função é ser fonte energética, sendo que 1 grama de gordura fornece 9kcal, ou seja, é de todos, o nutriente mais energético ou calórico. 
Sabia que em média, num homem adulto saudável, a gordura representa cerca de 15 a 20% do seu peso corporal total!



Quais os tipos de gordura existentes?

Existem vários tipos de gordura dependendo da sua origem alimentar. Estas podem dividir-se em três classes: 
  • Gorduras saturadas,
  • Gorduras insaturadas,
  • Gorduras trans. 



As gorduras saturadas, quando em excesso, são prejudiciais à saúde, favorecendo as doenças coronárias e cardíacas através do entupimento dos vasos sanguíneos. As principais fontes de gordura saturada da alimentação humana são:
  • Produtos de origem animal como as carnes e derivados (ex. enchidos);
  • Os ovos;
  • Os laticínios não desnatados (ex. leite, iogurte, queijo, natas);
  • Cremes animais (ex. manteiga e banha). 

Porém existem algumas fontes vegetais deste tipo de gordura como o óleo de coco e de palma e as sementes de cacau. 

Já as gorduras insaturadas são as mais saudáveis e que beneficiam em vários aspetos a saúde, podendo subdividir-se em monoinsaturadas e polinsaturadas

As gorduras monoinsaturadas promovem a diminuição do colesterol-LDL (mau colesterol), mantendo o colesterol-HDL (bom colesterol) e assim conferem protecção contra as doenças do aparelho cardiovascular. As suas principais fontes alimentares são de origem vegetal: 
  • Azeite;
  • Óleo de amendoim e de canola; 
  • Alguns frutos secos como amêndoas, pistácios e avelãs. 

Os óleos ricos nestas gorduras são os mais resistentes a altas temperaturas e os que sofrem menor degradação, devendo por isso ser os preferidos para temperar e cozinhar.

Por sua vez, às gorduras polinsaturadas (dos quais se destacam as famílias ómega-3 e ómega-6) são reconhecidas diversas capacidades terapêuticas, nomeadamente no combate e prevenção de várias doenças:
Pirâmide das gorduras
  • Diabetes, melhorando a tolerância à glicose;
  • Doenças neurológicas (ex. Alzheimer);
  • Doenças cardiovasculares - promovendo o aumento do bom colesterol e diminuição dos triglicéridos;
  • Doenças cancerígenas;
  • Infertilidade;
  • Doenças da pele e do fígado.

As gorduras polinsaturadas desempenham ainda funções essenciais durante a gravidez:
  • Favorecem um saudável desenvolvimento da visão e do sistema neurológico do feto;
  • Um crescimento saudável;
  • Conferindo protecção contra doenças futuras como a diabetes, a hipertensão e a obesidade. 

Sabe-se ainda que bebés cujas mães tiveram maior ingestão destas gorduras durante a gravidez, tendem a ter melhores capacidades cognitivas, isto é, capacidade de concentração, memorização e raciocínio. 
As principais fontes alimentares de gorduras polinsaturadas são:
  • O pescado (peixe, marisco e moluscos);
  • Os óleos alimentares de trigo, milho, girassol e soja;
  • Os cremes vegetais obtidos a partir destes;
  • Alguns frutos secos como as nozes e os pinhões;
  • As sementes de linhaça e de sésamo;
  • Os cereais integrais como aveia, trigo e centeio.
É, também, comum encontrarem-se alimentos funcionais, suplementados com estes nutrientes, principalmente em ómega-3, como leite, bolachas e cereais. Quanto a estes, deve sempre ponderar os benefícios destas escolhas, pois na sua maioria têm uma quantidade de ómega-3 facilmente obtida através de uma alimentação mais rica em pescado, sendo ainda ricos em açúcares e gorduras prejudiciais à saúde, que anulam a vantagem do nutriente suplementado (leia o rótulo do produto).

Por fim as gorduras trans ou hidrogenadas, que são gorduras produzidas industrialmente, altamente prejudiciais à saúde, que servem para conferir maior estabilidade à gordura que está a ser produzida. Sabe-se que estas promovem a formação de colesterol-LDL (mau colesterol) e de partículas que causam o entupimento dos vasos sanguíneos. Podem ser encontradas apenas em produtos transformados como pão, doces, chocolates, bolos, produtos de pastelaria, margarinas, massas folhadas, bolachas, pizzas, lasanhas, refeições rápidas, entre muitos outros. Portanto, estas gorduras e alimentos devem ser evitadas a todo o custo, já que não há dúvidas que aumentam grandemente o risco cardiovascular!


Considerações finais

Posto isto, facilmente se percebe por que razão as doenças coronárias, cardiovasculares e cerebrovasculares são as principais causas de morte nos países desenvolvidos, incluindo Portugal. O consumo de carne (principalmente carnes vermelhas) e de produtos industrializados, em detrimento do consumo de pescado e de produtos frescos, concomitantemente com um excesso de consumo (sobrealimentação) e sedentarismo, conduzem a uma “sobredosagem” diária de gorduras para o organismo humano, que não consegue “gastar” estes nutrientes. 

Mas atenção, como foi dito, as gorduras não são todas más! Deixo-lhe 10 recomendações para beneficiar das suas qualidades nutricionais:

  1. Usar azeite para cozinhar e temperar; 
  2. Ingerir tantas ou mais vezes peixe do que carne; 
  3. Consumir peixes gordos 3 vezes por semana; 
  4. Preferir as carnes magras e de aves; 
  5. Evitar consumir enchidos, vísceras, gorduras e peles;
  6. Substituir a carne por derivados de soja como o granulado de soja, o tofu e a seitan; 
  7. Consumir laticínios magros ou de cereais; 
  8. Adicionar 3 colheres de sopa de frutos secos ou uma colher de sopa de sementes às saladas e sopas; 
  9. Evitar grandes frituras e refogados, preferindo salteados em azeite, assados sem gordura e estufados em cru; 
  10. Não consumir alimentos transformados como o pão de forma, bolachas, tostas e flocos, optando pelos alimentos mais integrais e pelo pão caseiro.

Proteger, promover e cuidar da nossa saúde é, cada vez mais, um dever cívico. A responsabilização de terceiros pelo tratamento de condições resultantes de uma alimentação desequilibrada e excessiva está em desuso, cabendo a cada um de nós esta tarefa. 
   
Concluindo, não descuide mais o seu corpo, a sua mente e o seu coração, opte por uma alimentação mais saudável, preocupe-se e ensine os seus filhos a se preocuparem também.

17 janeiro 2014

«A manteiga é saudável? Que alternativas existem?»

O que é a manteiga e quais as suas características nutricionais?

A manteiga é, essencialmente, a fracção gorda do leite. Pode ser feita a partir de natas acidificadas ou não, e pode ou não levar sal. Hoje em dia, a produção industrial de manteiga é o resultado dos conhecimentos e da experiência que foram sendo entretanto adquiridos nas áreas da higiene, segurança alimentar, toxicologia e tratamentos térmicos, bem como do rápido desenvolvimento tecnológico que tornou possível o equipamento avançado que se encontra em uso presentemente. Os principais ingredientes de uma manteiga com sal são gordura (80 – 82%), água (15.6 – 17.6%), sal (cerca de 1.2%), bem como proteína, cálcio, e fósforo (no total, cerca de 1.2%). Para além disso, a manteiga contém vitaminas lipossolúveis (A, D e E). Pelo seu elevado teor em gordura animal, principalmente gorduras saturadas que se associam ao aumento do colesterol e a problemas cardiovasculares, tem-se procurado alternativas ou formas de diminuir a percentagem de gordura na manteiga. Assim, surgiram as manteigas magras e os cremes vegetais (margarinas).


Qual a diferença entre manteiga e margarina?

A diferença encontra-se exclusivamente no tipo de gordura, uma é animal outra é vegetal. A manteiga é feita de nata de leite, enquanto que a margarina provém de óleos vegetais (ex. soja, amendoim).
Em termos nutricionais, as manteigas e margarinas fornecem sensivelmente a mesma energia (entre 600 e 750kcal) e o mesmo teor de gordura (entre 70 a 80%). O que difere é o tipo de gordura. Como já foi dito a manteiga é rica em gorduras saturadas e colesterol, enquanto que as margarinas são ricas em gorduras insaturadas, fitoesteróis e por vezes gorduras trans.
Em termos práticos há ainda que distinguir os cremes vegetais das margarinas. A principal diferença é que as margarinas tendem a ser usadas para cozinhar, são mais ricas em gorduras trans, gorduras estas ainda mais prejudiciais à saúde do que as saturadas. As margarinas de pior qualidade e mais ricas nestas gorduras costumam ser usadas como ingrediente de produtos de pastelaria, panificação e confeitaria. Já os cremes de barrar vegetais que temos à venda são "isentos" de gorduras trans (menos de 5%). 



Então há vantagem em substituir manteiga por margarina? 

Em termos calóricos não! Em termos de saúde sim. As margarinas vegetais isentas de trans, quando consumidas controladamente, podem de facto ajudar a controlar o colesterol total e o mau colesterol (LDL), ainda que este seja um efeito reduzido (6% e 8,5% respetivamente).
Portanto por questões de saúde e prevenção das doenças cardiovasculares devemos preferir os cremes de origem vegetal. 


Mas, e para emagrecer?

Como já referi, quer os cremes vegetais, quer as manteigas têm o mesmo valor calórico, devido ao elevado teor de gordura. Para perder peso devemos optar pelas versões "magra", "ligeira" ou "light". Ou seja, são os mesmos produtos, mas com teores de gordura mais baixos.
Contudo, existem opões ainda mais saudáveis e que ajudam a perder peso, é o caso dos cremes de queijo (fresco) para barrar: simples, com ervas aromáticas, com alho, etc... Contêm teores de gordura muito reduzidos (menos de 20%) e por isso são pouco calóricos.
Para verificarmos isso mesmo, fiz uma pesquisa pelo supermercado e recolhi o valor calórico e a percentagem de gordura das principais marcas de manteiga, margarina e cremes de queijo para barrar:

A tabela anterior organiza as principais marcas de manteiga, margarina, creme vegetal e cremes de queijo para barrar de forma decrescente:
Repare como no topo da tabela até ao número 10 aparecerem indiscriminadamente manteigas e margarinas com mais de 50% de gordura. Estas deve definitivamente evitar. 
Do número 11 ao número 19 aparecem aquelas que deve consumir com muita moderação na quantidade, por exemplo, no máximo 1 vez por dia de manhã, cerca de 10g (1 colher de sobremesa). 
Do número 20 ao 25 aparecem as melhores opções. Com menos de 20% de gordura são agradáveis ao paladar, mas mais saudáveis! Veja que nenhuma destas opções é de origem vegetal. Não quer dizer que possa comer "à vontade". Contudo, pode usá-las para barrar tostas, pão, para cozinhar e até para fazer pequenos lanches (ex. Babybell e triângulos vaca que ri light).

Para terminar, não poderia deixar de fora o azeite, como verdadeira gordura mediterrânica, consumido com moderação é uma das opções mais saudáveis para o pão.

04 janeiro 2014

Gorduras Trans

Já ouviu falar em Gorduras Trans?
As gorduras trans são gorduras em que o processamento dos alimentos pela indústria alimentar alterou a sua estrutura, tornando-a mais saturada. Este processo é conhecido por hidrogenação, dado que o hidrogénio em falta é adicionado às cadeias dos ácidos gordos na sua estrutura química. Como resultado os óleos tornam-se semi-sólidos e mais estáveis à temperatura ambiente. 
Estas gorduras trazem vantagens para a indústria. Por exemplo, sendo as gorduras hidrogenadas mais estáveis, elas poderão aumentar a validade dos alimentos conservados à temperatura ambiente. Por esta razão os alimentos não se deterioram tão facilmente. Na indústria do fast food, pastelaria e comida pré-preparada, muitos alimentos são fritos ou confeccionados com estas gorduras. 
Os ácidos gordos trans são um motivo de preocupação tal como as gorduras saturadas, porque estes podem aumentar os níveis de LDL-C ("colesterol mau") e diminuir os níveis de HDL-C ("colesterol bom") no sangue, o que, por sua vez pode aumentar o risco de depósitos de gordura nos vasos sanguíneos. É aconselhável prudência na sua utilização, especialmente por indivíduos com maior risco de doença cardiovascular.
Evite este tipo de alimentos, pela sua saúde! Já agora alie uma alimentação cuidada à prática de exercício físico, diminuindo o risco de doença cardiovascular!