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16 junho 2014

O pão engorda?

Toda a gente faz esta pergunta. A resposta é: Tudo o que é comido em excesso engorda.

Em termos calóricos os pães brancos/ de mistura/ integrais não variam muito. Isto é, têm em média 250kcal/ 100g. O que os distingue é essencialmente a quantidade de fibras que varia entre 3g/100g num pão branco e 8g/100g num pão integral. Estas fibras determinam o seu tempo de digestão e absorção (índice glicémico), sendo quanto mais lenta melhor.
Pode ler sobre os diferentes tipos de pães aqui.

Comparação de vários tipos de pão por 50g = 1 fatia (fonte)
RECOMENDAÇÃO: 
Como podemos verificar na tabela anterior as calorias não variam muito (excepto o croissant). O que varia essencialmente é o teor em fibra. Assim, quando escolher pão, garanta que escolhe um pão fatiado (denso = pouco fermento), muito escuro, com ou sem sementes (a escolha é sua) e com curto prazo e validade (sem aditivos alimentares).


O que colocar no pão?
Se for apreciador de charcutaria prefira a de aves, com baixo teor de sódio. Evite charcutaria de porco, queijos curados/ gordos e doces/ compotas, pois estas aumentam a carga glicémica da refeição!
Pode ainda completar a sua sanduíche com alimentos ricos em proteínas, como ovo, frango, atum, queijos brancos e adicionar todos os vegetais que quiser!


Opinião da Dietista:
Pão é pão!
O pão é mais saciante, mais satisfatório, mais barato, mais versátil e mais saudável do que todos os seus substitutos. Contudo, como a diversidade também é importante, apresento-lhe na imagem seguinte algumas equivalências do pão:


Quantas fatias de pão posso comer por dia?
A quantidade de pão que cada pessoa pode comer por dia varia de acordo com o género, a idade e o nível de actividade. Contudo, de uma forma generalista poder-se-á indicar:
  • Emagrecimento ou mulheres que engordam com facilidade: 2 fatias de pão (50g cada) por dia, de preferência divididas entre manhã e tarde.
  • Manutenção do peso ou mulheres que emagrecem facilmente: 3 a 4 fatias de pão (50g cada). De preferência divididas (2 de manhã + 1 ou 2 à tarde).
  • Homens em emagrecimento: em média 4 fatias por dia (2 de manhã + 2 tarde).
  • Desportistas ou ganho de peso: em media 6 fatias de pão por dia (50g cada). Ex. 2 manhã, 2 tarde, 2 noite.
Salienta-se que estas indicações são gerais. Cada caso deve ser avaliado individualmente. 

13 junho 2014

Pão: os diferentes tipos

Hoje vamos reflectir sobre um dos alimentos que mais suscita sentimentos contraditórios: o pão
Amado por uns, desejado por outros, odiado por alguns, este é um alimento do dia-a-dia que acompanha a nossa civilização desde os seus primórdios.

Características legais:
No mundo existem vários tipos de pão. O ponto comum a todos eles é a junção de cereais moídos (farinha) com água e a subsequente cozedura. O pão "típico" português tem ainda fermento e sal, podendo-lhe ser acrescentado azeitonas, azeite, passas, nozes, sementes e grãos de cereais.

Segundo a lei n.º75/2009, artigo 2º, alínea a): 
«Pão» o produto obtido da amassadura, fermentação e cozedura, em condições adequadas, das farinhas de trigo, centeio, triticale ou milho, estremes ou em mistura, de acordo com os tipos legalmente estabelecidos, água potável e fermento ou levedura, sendo ainda possível a utilização de sal e de outros ingredientes, incluindo aditivos, bem como auxiliares tecnológicos, nas condições legalmente fixadas.
A mesma lei de 2009 define no artigo 3º o limite máximo de sal no pão:
1 - O teor máximo permitido para o conteúdo de sal no pão, após confeccionado, é de 1,4 g por 100 g de pão (ou seja 14 g de sal por quilograma de pão ou o correspondente 0,55 g de sódio por 100 g de pão).

Informação nutricional:
Vista a parte legal, analise-se os factos nutricionais. O que mais varia no pão, determinando a sua qualidade nutricional é o tipo de farinha e grau de fermentação.
As farinhas para pão são variadas:
  • centeio
  • trigo
  • milho
  • cevada
  • aveia
  • arroz
  • alfarroba
  • soja
  • etc.

Normalmente o pão tem uma mistura de farinhas. Mesmo o designado "pão de centeio" tem sempre uma percentagem (ainda que inferior a 50%) de farinha de trigo na sua constituição, que é responsável pela melhoria das características organoléticas do pão.

Para além do tipo de farinha, o grau de refinação da mesma é um dos pontos mais importantes quando se escolhe o pão. Assim, dependendo da refinação do pão pode ser "branco/refinado", "de mistura" ou "integral".

  • Pão branco ou refinado: são exemplos as carcaças e baguetes. O miolo do pão é de coloração muito clara, quase "branca". Isto significa que a farinha foi sujeita a um processo de refinação dos cereais, retirando-se-lhe "a casca" e camadas mais exteriores do grão, sobrando a parte interior, o endosperma. Este é pobre em termos nutricionais, contendo essencialmente amido (hidrato de carbono) e tendo um baixo teor em vitaminas, minerais e fibras. Este pão é de rápida digestão e absorção (alto índice glicémico).
  • Pão de mistura: são exemplos, as bolinhas, o pão alentejano, pão caseiro e de Mafra. De coloração acastanhada, o seu miolo é produto de uma mistura de farinhas com graus de refinação distintos. Ou seja, este pão tem uma mistura de farinha(s) com grau de refinação mediano. Por esta razão este pão é mais saudável do que o anterior, contendo mais minerais e vitaminas, mas ainda pobre em fibras. Salienta-se que é de melhor digestibilidade do que o pão integral, tornando-o assim o mais aconselhado.
  • Pão integral: esta designação vem muitas vezes escrita no rótulo, sendo um pão castanho (escuro). Não confundir com pão de sementes/cereais. Por vezes os pães com sementes têm um miolo branco ou claro, não sendo por isso sinónimo de integral. A farinha do pão integral tem um grau de refinação muito baixo ou nulo, conservando o cereal o maior parte das suas propriedades nutricionais. Assim, é rico em fibras, gorduras insaturadas, vitaminas e minerais. Este é sem dúvida o pão mais saudável. Contudo, pode haver pessoas que o tolerem mal, pelo seu elevado teor em fibras, causando digestões difíceis, inchaço, gases e dor abdominal (Ex. colite, polipos, diverticulite e doenças inflamatórias intestinais).

Atenção! Por ser integral, não é necessariamente sinónimo de saudável. "Integral" quer dizer apenas que o alimento contém farinha integral (não refinada), porém isso não o impede ter ter açúcares adicionados, gorduras nocivas à saúde e vários aditivos alimentares (E's). É o caso de muitos pães de prateleira (longo prazo de validade), de bolachas e de cereais para pequeno-almoço! Escolha sempre os produtos com a lista de ingredientes mais curta e com menos tempo de validade!

Acrescento ainda que a quantidade de fermento do pão é também um ponto importante a analisar. 
Existe fermento químico (bicarbonato de sódio) e natural (levedura). Devemos sempre escolher o natural, mas mesmo assim, escolher o pão com menos fermento. O fermento é, como o próprio nome indica, fermentável. Muitas pessoas são-lhe intolerantes, pois este induz grande fermentação intestinal, causando gases, distensão abdominal e desconforto. Os pães com menos fermento são aqueles que têm o miolo mais denso, e por essa razão, são normalmente fatiados. Os pães muito crescidos, leves e redondos são de evitar.

11 março 2014

Comer fruta... Porquê?

A Organização Mundial de Saúde preconiza a ingestão de 400g por dia de frutas e hortaliças.
Muitas vezes não sabemos a quantidade certa de frutas a ser ingerida. A Roda dos alimentos sugere de 3 a 5 porções de frutas por dia.
Mas você sabe por que comer frutas vai te fazer viver mais e melhor?
Descubra aqui...

10 janeiro 2014

Que pão?


O pão é uma opção mais saudável quando comparado com bolachas, tostas e cereais de pequeno-almoço, pois é menos calórico e contém maior teor de fibras! O pão não é um problema, o problema será o que se coloca nele, por isso atenção!



Mas afinal que tipo de pão devemos ingerir?! 
Ora bem, falemos primeiro das variedades a evitar. Entre elas encontra-se o pão de forma que é um pão mais adocicado e, por isso, mais calórico. Outra opção a evitar é o pão branco, o habitualmente consumido, já que é pobre em fibras e, consequentemente menos saciante.
As boas opções são as versões mais integrais, pois possuem maior teor de vitaminas, minerais e fibra, pelo que serão mais saciantes, ajudando no controlo da ingestão alimentar. Assim, recomendo o consumo de pão de centeio e de mistura, bem como as suas versões mais integrais.
Uma boa ideia será fazer pão em casa, aliando a poupança à garantia de uma composição nutricional mais adequada do pão que consome, uma vez que pode optar por farinhas mais integrais, juntando-lhe passas ou sementes para o enriquecer ainda mais.
Varie o mais que puder o tipo de pão que consome, de forma a promover uma ingestão de vitaminas e minerais mais diversificada, já que a composição nutricional das farinhas que os compõem é distinta. 

Atenção às doses consumidas, pois algumas padarias fazem pães integrais e de centeio demasiado grandes, se for necessário pese os pães!

Na imagem têm a informação nutricional por 100g de cada tipo de pão (atenção não é informação nutricional por pão!)


28 novembro 2013

Fibras e Obstipação

Boa tarde caros leitores! Hoje trago-vos um assunto de interesse comum, muito questionado em consulta e pelo público em geral: Obstipação, que é o termo médico para prisão de ventre (d.i. constipation). Esta é considerada um sintoma e não uma doença em si, tendo significados individuais. Habitualmente refere-se a dejecções pouco frequentes, mas também pode traduzir uma diminuição no volume ou peso das fezes, a necessidade de fazer força («puxar») para esvaziar incompletamente o recto, ou, ainda, a necessidade do uso de clisteres, supositórios, laxantes para manter a regularidade do trânsito intestinal. Cerca de 80% das pessoas sofrerão de obstipação nalgum momento das suas vidas, sendo normais breves períodos de «prisão de ventre». Numa base empírica, o diagnóstico de obstipação poderá ser colocado se o número de dejecções for inferior a três vezes por semana. A assumpção incorrecta de que se deverá ter pelo menos uma dejecção por dia, levou ao uso e abuso de laxantes com consequências preocupantes.

Mas o que causa a obstipação? Poderão existir várias etiologias, possivelmente simultâneas, responsáveis pela obstipação, incluindo a ingestão inadequada de líquidos e fibras, um estilo de vida sedentário e alterações ambientais. A obstipação poderá ser agravada pela gravidez, viagens ou alterações na dieta. Nalgumas pessoas poderá ser o resultado de, repetidamente, ignorarem a vontade para defecar. 

Relação entre os hábitos e o stress na obstipação
Outras causas mais graves incluem apertos ou lesões expansivas no intestino grosso, pelo que se a obstipação persistir será aconselhável consultar o médico gastroenterologista. Mais raramente, a obstipação poderá ser um sintoma de esclerodermia, lúpus, ou ser consequência de doenças dos sistemas nervosos ou endócrino, como as doenças da tiróide, a esclerose múltipla, doença de Parkinson, AVC e lesões da medula. A obstipação poderá ainda ser causada por medicamentos, como analgésicos, anti-depressivos, tranquilizantes, anti-hipertensores, diuréticos, suplementos de ferro e de cálcio, anti-ácidos contendo alumínio, causar ou agravar a obstipação. Para além disso, muitas pessoas que verdadeiramente não são obstipadas, podem tornar-se dependentes de laxantes, numa tentativa pouco recomendada de terem dejecções diárias, provocando a si próprias danos através deste abuso de laxantes.

Assim, deverá consultar o médico sempre que:
1) Exista uma alteração persistente dos hábitos intestinais: aumento ou diminuição na frequência, consistência ou tamanho das fezes ou numa maior dificuldade para evacuar. 
2) Os sintomas de obstipação persistam por mais de três semanas. 
3) Detectar sangue nas fezes.

Contudo, pode afirmar-se que a maior parte das "obstipações" são ligeiras ou transitórias e resolvidas através de uma mudança nos hábitos alimentares, principalmente através do seu conteúdo em fibra!

Fibras... O que são?!?

As fibras alimentares de origem vegetal têm demonstrado diversos benefícios para a saúde, desde logo prevenindo tumores do aparelho digestivo e da mama, mas também, obstipação, hemorróidas e diverticulose, favorecendo o emagrecimento, sendo eficazes no controlo da diabetes e baixando o colesterol plasmático.
Estes nutrientes fazem parte do grupo dos hidratos de carbonos ou glícidos, apesar de nos rótulos alimentares se encontrarem à parte, com a designação própria “fibras”. Elas são, na verdade, hidratos de carbono indigeríveis, tendo diferentes graus de solubilidade em água e de fermentação. 

 Deste modo, como exemplo de fibras insolúveis e não fermentáveistêm-se celulose, lenhina e algumas hemiceluloses. Estas constituem a componente estrutural das plantas, ou seja, “o esqueleto”, as partes fibrosas dos caules e talos das folhas. Por serem tão consistentes e rígidas passam o aparelho digestivo praticamente intactas, tendo como funções aumentar a massa fecal, favorecer a sua passagem através dos intestinos e controlar a acidez nestes órgãos. De facto, estas fibras promovem os movimentos intestinais o que permite prevenir a prisão de ventre; para além disso, absorvem toxinas provenientes dos alimentos e da flora intestinal, favorecendo um ambiente estável no cólon e protegendo-o destes produtos potencialmente cancerígenos. Assim sendo, podem encontrar-se quantidades apreciáveis de fibras insolúveis em vegetais de folha verde escura (ex. espinafres, nabiças, couve portuguesa, grelos de nabo), em leguminosas verdes (ex. favas, ervilhas, feijões frescos), casca de fruta e de raízes (ex. nabo, rabanete, rábano, mandioca), cereais integrais completos (ex. aveia, centeio, trigo, milho), sementes (ex. sésamo, linhaça) e oleaginosas (ex. nozes, amêndoa, caju, amendoim). Destaca-se que existem fibras insolúveis de origem animal, por exemplo o quitosano, que se encontra nas cascas dos crustáceos como lagosta e camarão. Este tem sido estudado pela sua capacidade de baixar o colesterol sanguíneo.  

 Por sua vez, as fibras solúveis podem ser gomas provenientes de plantas (ex. goma arábica, goma-guar, tragacanto), ou provenientes de algas (ex. carragenanos, alginatos, agar), e ainda pectinas de frutos e vegetais (ex. frutoligossacaridos, inulina, glucomanano). Estas são altamente fermentáveis pela flora intestinal tendo como principais propriedades:
1) absorver água; 

2) controlar o esvaziamento gástrico; 
3) fornecer substrato para as bactérias do cólon produzirem substâncias benéficas; 
4) fixar os ácidos biliares e aumentar a sua excreção; 
4) reduzir o colesterol; 
5) melhorar a tolerância ao açúcar. 

As fibras solúveis podem ser encontradas naturalmente em algas, cereais integrais, leguminosas secas, frutos secos e oleaginosos, cevada, linhaça, vários frutos (ex. citrinos, morangos, banana, maçã, manga, kiwi), cenoura, arroz, massa e batata.

Actualmente, sabe-se que os benefícios residem no consumo equilibrado de todos os tipos de fibras. A ingestão única ou em excesso de um só tipo pode levar a inflamação intestinal, diarreia ou mesmo obstipação. Se este último for o seu caso não deve aumentar somente o consumo de uma fruta ou verdura específica, em vez disso, deverá diversificar as fontes e combinações de fibras. Para além disso, não tome laxativos, mesmo que "naturais", sem indicação e vigilância do seu dietista ou médico, pois se habituar o seu intestino, depois será difícil voltar atrás!


A recomendação diária de fibra alimentar da Organização Mundial de Saúde é 30 gramas por dia. Contudo, a maioria dos estudos aponta para um consumo insuficiente nos países ocidentais, em que se incluem Portugal, entre 15 e 20 gramas diárias, decorrendo daí os comuns problemas intestinais. Eis um exemplo de alimentos que deveria consumir em um dia para atingir a dose recomendada de fibra: 
- 1 pão de cereais (70g); 
- 5 colheres de sopa de flocos de aveia integral;
- 5 colheres de feijão frade cozido; 
- 4 colheres de arroz integral cozido; 
- ½ prato de salada mista ao almoço; 
- 1 tigela de legumes cozidos ao jantar; 
- 1 punhado de nozes; 
- 2 frutas frescas ou secas (ameixas, tâmaras, figos).

Salada de frutas secas: ingredientes – 100g ameixa seca sem caroço; 100g damasco; 100g maçã seca; 100g pêra seca; 100g uva passa sem caroço; 500 ml sumo de maçã fresco; 2 colheres de sopa vinho tinto seco; 1 chávena de chá iogurte natural; 50g de nozes em metades. Modo de preparação – Colocar as frutas numa tigela, regar com o sumo de maçã e deixar de um dia para o outro. Colocá-las numa panela em lume médio por 15 minutos. Retirar do lume, esperar que arrefeçam e colocar numa saladeira. Regar com o vinho, juntar o iogurte e misturar; decorar com as nozes e servir.

Em conclusão, uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e cereais integrais proporciona todos os benefícios das fibras alimentares. Porém, em casos específicos de doenças ou intolerâncias intestinais, como doença celíaca, colite, doença de Chron, diverticulite, entre outras, a alimentação deve ser adaptada, não sendo aplicáveis pressupostos gerais. Neste sentido, a consulta de um especialista em dietética e nutrição é fundamental. Para a população em geral, basta diversificar, afinal são apenas 30 gramas por dia!